Marc Pineau, gestor de culturas em Serres de Goulaine, descreve a eficácia da solução de biocontrolo Julietta, que tem sido utilizada desde 2018 em tomates para prevenir a podridão cinzenta.
Qual é o teu método de cultivo atual?
Nos últimos 10 anos, quase não utilizámos produtos sintéticos na quinta e começámos a pensar de forma diferente. Desde o lançamento da iniciativa "Zero Resíduos de Pesticidas", há 3 anos, estamos empenhados nesta abordagem e incorporámos gradualmente o biocontrolo nos nossos métodos agrícolas.
As mudanças na prática são feitas passo a passo, aplicando essas mudanças numa estufa, depois noutra, depois noutra.
Como é que o biocontrolo afectou as tuas práticas?
Não utilizamos o mesmo raciocínio para a aplicação de produtos entre os produtos químicos, que têm uma ação curativa, e os produtos de biocontrolo, que têm uma ação preventiva. Os produtos de biocontrolo requerem antecipação, e nós identificamos as fases de risco. Os parâmetros têm sido observados ano após ano, e conseguimos fixar os nossos próprios valores e adquirir uma observação muito mais fina dos sinais de alerta precoce.
Como é que conheceste a Julietta e como é que trabalhaste com a Agrauxine?
Em 2018, através da rede Dephy-Serres, pudemos testar o Julietta antes de ser aprovado. Em colaboração com o Comité Départemental de Développement Maraîcher, a Agrauxine estabeleceu um protocolo de aplicação, com inquéritos no local e amostragem em placas de Petri, para medir a eficácia do produto.
A partir dos números fornecidos pela Agrauxine, pudemos ver que a levedura se desenvolveu muito rapidamente nas feridas, antes do aparecimento da botrytis. E vimos que era realmente eficaz contra a botrytis. Assim, quando o produto foi aprovado, continuámos a utilizá-lo nos nossos tomates.
Que conselhos darias sobre a melhor forma de aplicar a Julietta?
O produto é muito simples de preparar e utilizar, só precisas de fazer várias passagens para aplicar o produto no momento certo.
A observação é, portanto, essencial. Fazemos visitas regulares com o nosso pessoal para observar os primeiros surtos, o que implica a sua formação. Na primavera, o risco de desenvolvimento da botrítis é elevado, mas também a partir de 15 de agosto e até setembro-outubro, altura em que temos de estar mais atentos.
